domingo, 17 de fevereiro de 2013

Preocupação, perda de tempo

Mafalda e sua característica de preocupação com a humaninade.

Eu me preocupo, ou melhor, eu me pré ocupo. Isto é uma coisa estupida, pois como se pode pré ocupar de alguma coisa? Ocupar é um verbo de ação, no ato, agora, já. Nós nos ocupamos no momento presente, não existe como se ocupar antecipadamente, sendo assim como se preocupar? Eu perco um tempo enorme da minha vida me preocupando e com coisas que na maioria das vezes não acontecem e se acontecem são bem mais benéficas do que eu imaginava. 
Adquiri essa "mania" com meu pai, e engraçado é que eu o criticava por isso. Quantas vezes lhe chamei a atenção por estar preocupado com algo a toa? Varias. Nós morávamos em uma casa em uma avenida bem movimentada e central, nossa casa, alugada, fazia parte de um conjunto de quatro sobrados  geminados, no fundo uma vila com seis casas, se não me engano e mais duas casas ao lado e um terreno desocupado. Resumindo, se todas as casas fossem vendidas daria para fazer um prédio enorme no local. Uma época uma grande construtora quis comprar e um dos proprietários se recusou e "melou" o negócio. Passou o tempo e o peso da provável saída ficou. E meu pai se preocupava muito, uma vez por ano ele vinha com a historia de novo: e se for vendida a casa, como nós vamos fazer? Nós tínhamos um comercio ali e vivíamos disso. Moramos naquela casa uns trinta anos, meu pai foi morar no interior e já morreu há quatro anos, todos os outros proprietários já morreram também e as casas continuam exatamente no mesmo local! 
Todo ano, na época do reajuste do meu aluguel eu sinto essa mesma insegurança... (Não, ainda não é época do aumento do aluguel, estou escrevendo por causa de outro motivo!)
Na época que me casei e fui morar no interior eu me preocupava demais com a minha irmã que tinha ficado aqui em São Paulo, as vezes não conseguia dormir por causa da preocupação. Uma noite parei e pensei: Se eu me preocupar ou não, vai fazer alguma diferença? O que tiver que acontecer não vai acontecer do mesmo jeito? Por que me preocupar então? E não me preocupei mais e dormi.
No meu trabalho está acontecendo uma mudança, uma descentralização. É uma mudança necessária, é muita gente para ser atendida em um espaço pequeno, Não existe condições físicas seguras para atender tantas pessoas e acaba gerando um stress, uma irritação nas pessoas e em nós também. O que vai acontecer? Não sei, e estou me preocupando. E pergunto: Por que? Será que vai ser ruim? Pode ser que seja muito bom! Mas essa tal de insegurança que domina. Por que será que temos a mania de pensar sempre pelo lado pior primeiro? Por que eu não penso pelo lado positivo? Será que sou só eu? Que a influência do meu pai é tão importante assim ou é a influência de tudo que nos cerca? E o engraçado que sou uma pessoa tida como corajosa pelas outras. Muitos elogiam justamente a minha ousadia, a minha iniciativa de meter as caras em situações que outros vacilam. De me atirar, me jogar. Lembro da minha primeira palestra, a minha vontade era sair correndo. tremia, a boca secava, mas fui, enfrentei e a maioria das pessoas que conheço não consegue falar em publico de jeito nenhum. A primeira vez que peguei um carro sozinha, sai para a estrada, a noite e chovendo, precisava, não tinha jeito e eu fui. Tenho amigos/amigas que  não pegaram o carro até hoje. 
Por que me preocupar? Eu vou dar conta, eu vou conseguir e se não conseguir eu vou pedir arrego e tentar outra alternativa, não é assim a vida da gente? Já passei por tantas coisas nessa vida, três enchentes, perda de tudo dentro de casa (até as fotos de casamento), por doença, sequela e morte de marido. mudança de 180° de vida três vezes, pelo menos. E consegui sobreviver. Por que me preocupo? Boba eu...

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