terça-feira, 26 de outubro de 2010

Masoquismo e Egoismo

Essa foto foi tirada a uns 10 dias do celular





Anônimo disse...

Desculpe-me o comentário mas você é um tanto quanto masoquista e egoísta. As decisões são difíceis, são. Mas amar também é deixar partir. O curar dos homens é muito diferente do curar de Deus. Pense nisso.

Entendo o seu ponto de vista, e aceito. A frase: Amar é também deixar partir vem bem a calhar, eu estou a cinco anos me preparando para essa partida, foi em 2005 que descobrimos o problema cardíaco e de lá para cá tenho passado por baques e me preparando para viver sem ela. (E vou confessar uma coisa: Ainda não estou preparada...)

Pode ser que eu tenha que tomar uma decisão, pode ser que não. Eu vou tomar quando for necessário, não por que eu não quero sofrer, mas para ela não sofrer. 
E  quando tiver que tomar essa decisão, faço questão de estar ao lado dela, em respeito a ela e a mim. Não quero que ela fique só. 

Quando meu pai estava mal, muito mal mesmo, conversamos; minha irmãs e eu, se ele ficasse pior se deixaríamos entubar e concordamos que não, seria um sofrimento desnecessário. Quando ele estava nos últimos momentos, ele morreu nos meus braços, a enfermeira chegou e perguntou se eu queria que fizesse alguma coisa, eu disse que não, que deixasse eu sozinha com ele, tive tempo de me despedir, fazer uma oração e principalmente estar ao lado dele, para uns isso é masoquismo, para mim foi muito importante, pois tenho certeza que ele estava amparado por mim e não em uma UTI fria.

Pontos a considerar: 
Egoísmo: Será que não é egoísmo querer acabar logo com a vida dela para eu não sofrer? Penso nisso também.


Ela está bem, está comendo, tem fome, procuro fazer uma alimentação que ela goste e que seja fácil de engolir. Dor? Ela está com remédio agora, então não está doendo. Caminha pouco, é verdade, pois o coração dela é fraco, mas por sinal, acabamos de vir da rua agora, ela foi até onde quis e quando não quis mais, eu trouxe no colo. Mas os olhos dela ainda brilham, tem vida, é diferente de um cão que não quer mais viver.

Ontem eu conversei com o cardiologista dela e ele é muito realista; disse que se tiver que passar sonda, aí não vale a pena, e eu concordo.

Quem olha para ela não vê uma cadela doente, debilitada, mas uma cadelinha idosa, mais lenta. É diferente.
Tanto é que quando eu falo que ela tem problemas de saúde as pessoas se surpreendem. 

Estou sofrendo? Sim, mas não é só com a doença dela, é por ter certeza que em muito pouco tempo eu vou ficar sem ela e são quinze anos de parceria. com ela aprendi muito.  E ela vai me fazer muita falta. Em tudo, em todos os momentos. Nos ultimos 15 anos, em todos meus momentos importantes, ela estava ao meu lado, como vai ser viver sem ela? 

Converso muito com Deus, peço que Ele não deixe ela sofrer, só isso, por que eu vou, com certeza. 
Eu agradeço a Deus por ter me dado a  oportunidade de conviver, todos esses anos, com um ser, pequeno e peludo que me ajudou a ser uma pessoa melhor.
Chorar, eu vou, e muito. Mas chorar por alguma coisa muito boa que tive em minha vida. 

3 comentários:

  1. Eu posso imaginar o que você está sentindo. Tenho uma amiga que perdeu uma boxer há uns 3 anos e foi dolorosíssimo. Ela morreu, de forma natural, nos braços dela, depois de muito sofrimento. Se a sua cachorrinha ainda está bem, não está em sofrimento, acho que você deve se munir de coragem e seguir em frente e peça a Deus para que ela não precise de ajuda para partir. Isso de fato é muito terrível. Quando falei em egoísmo, achei que a cachorrinha não estivesse bem, que estive sofrendo muito. Aí cabe ao guardião zelar para que isso seja abreviado. É das decisões mais difíceis, deixar partir quem se ama. Essa mesma amiga que perdeu a boxer, perdeu a mãe no ano passado. Era uma senhorinha já de bastante idade e estava muito doente também, já não falava, nem se alimentava, embora estivesse consciente. Um dia, no hospital, uma senhora que estava passando pelo corredor, chamou a acompanhante de minha amiga e falou para que ela dissesse à minha amiga que a mãe dela queria partir mas que ela a estava impedindo. Quando minha amiga soube disso, se aproximou da mãe, segurou-lhe a mão e lhe disse que se ela quisesse mesmo partir que poderia, que ela seria forte. Minha amiga se afastou por uns minutos da cama e, quando retornou, a mãe dela já tinha partido. As decisões, Silvia, nem sempre são objetivas. Muitas vezes, elas são subjetivas e dependem apenas de uma simples mudança de atitude interior. Cuide bem de sua mascote. Dê-lhe muito amor e carinho. É disso o que ela realmente precisa. Boa sorte!

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  2. Elisa,
    Muito obrigada pelo seu comentário, agradeço do fundo do meu coração, vc me fez um bem tremendo.
    Saber que nossos pensamentos encontram eco é reconfortante.
    Meu pai morreu há dois anos de câncer na garganta e meu irmão a três anos de câncer no pulmão.
    Meu pai falava sempre que: enquanto estivesse lavando os pés sozinho ele não era velho e que não iria embora, e ele lavou até uma semana antes de morrer. Me lembrei disso agora.

    bjsssss

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  3. Silvia Dutra / Sinhá28 de outubro de 2010 21:28

    OI xará
    Entendo muito sua dor e o que está por vir. Já passei por isso algumas vezes e é sempre doloroso, não importa se a convivência foi de 1, 2 ou 17 anos. Essas criaturas peludas e amorosas cativam a gente tanto que quando se vão deixam um rombo enorme no coração da gente e é preciso chorar mesmo. Concordo com a Elisa: enquanto ela estiver só velha, mas ainda com vontade de viver, sem sofrer com dores constantes, vai curtindo ela. E tomara que ela parta naturalmente, sem maiores sofrimentos e sem você ter que tomar essa decisão. Recentemente estive no Brasil e minha Loba, Pastora alemã de quase 17 anos, estava bem mal, com problema renal. Pensei que fosse perdê-la, mas 10 dias de antibióticos, analgésicos e ração sem sal deram uma esticada no prazo. O rotweiller, Urso, também tá velho, cheio de reumatismo. Annie também, o único ainda filhote cheio de energia é o Precioso. Milu também já se foi, de velhice. É a vida, temos que aceitar. Curtir os bons tempos, sabendo que um dia eles terminam, como tudo nessa vida. Fique em paz, você é uma pessoa linda, eu acho pelo menos. Um beijo enorme pra você e pra Pitchula.

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