terça-feira, 12 de maio de 2009

Adaptação

Fico observando a Pitchula e pensando o quanto nós temos que aprender com os animais. Eu demorei a perceber que ela estava perdendo a audição, ela não demonstrava nada, não tinha nada de diferente. Eu achava que ela estava com "audição seletiva": só ouvia o que interessava. Um dia, na USP, deixei ela solta, sem guia, quando chamei ela não atendeu, achei estranho, uma coisa que não tenho queixa é  a obediência. Ela é muito obediente. Comecei a "por reparo" e ela estava perdendo a audição. Antes ela não podia ouvir a voz do Galvão Bueno, assimilava com jogo, gol, fogos e começava a tremer. Agora pode estourar fogos que for, não faz a menor diferença. Mas o que eu queria dizer é sobre a capacidade de adaptação do animal. É tão grande que a gente nem percebe, de imediato, a mudança. Agora ela está ficando cega, a vista direita tá mal, catarata avançando, não sobra muita coisa, e ela está se adaptando.  Esses dias quase trombou no poste na rua, bem cômico, "tadinha" dela, mas ela vai se acostumando e vivendo a vidinha normal.
No HOVET- USP cansei de ver animais irem tomar quimio e entrarem e saírem do mesmo jeito, não existe neles o agravamento psicológico que tem o ser humano. Eles apenas vivem de acordo com as possibilidades. Tem quatro patas, andam com as quatros; três, aprendem a andar com três. E andam. Já vi cães andarem com duas! 
Para o homem é tudo difícil, complicado, tudo é motivo de drama.  
Eu admiro pessoas como a Isa Grou, que escolhe ser feliz, apesar das necessidades especiais.

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