quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

NATAL




Eu lembrei muito hoje de um Natal. Aquele que eu descobri que o Papai Noel não existia.
Sempre fui curiosa, intrometida, diriam alguns. Eu sei que achei os presentes guardados em uma gaveta. Lembro direitinho da boneca. Eu devia ter uns seis anos. Minha mãe era viva ainda, se ela morreu eu tinha sete, deve ter sido no Natal do ano anterior, pois no último da vida dela, ela já estava muito mal. Não contente em descobrir, eu ainda contei para todo mundo a minha descoberta. Criei polêmica, como sempre. Muitos acreditaram em mim, outras crianças da vizinhança não acreditaram, mas as mães dessas crianças ficaram muito bravas comigo. E como castigo fiquei sem presente. Era costume sairmos pela rua, na manhã do dia de Natal, mostrando nosso presente, ganhavamos um só, não era esse exagero de hoje. E todas as crianças mostrando o presente e eu só olhando. Revoltada, chateada. Além da descoberta, ainda tinha que amargar a privação do presente.  No final da manhã, quando todas estavam cansadas de brincar, meu pai convenceu minha mãe a me dar a boneca, mas aí já não tinha graça. Não tinha mais para quem mostrar e brincar. Um presente com gosto amargo.

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